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sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Discurso para Senadores Deputados e Politícos na Alerj

Bom dia a todos
Meu nome é Lourenço Olivieri sou casado servidor publico federal eu e minha esposa somos padrinhos do apadrinhamento afetivo. (3 crianças: menino D. 11 anos; menina P. 09 anos Irmãos e o Menino R. 11 anos)
Importantíssimo o esforço de todos aqui para que no futuro ninguém passe a infância num abrigo e sinta-se abandonado novamente aos 18 quando for colocado num mundo que já o negou repetidas vezes desde a infância. Para que todas as crianças que entrarem em abrigos daqui por diante fiquem no máximo dois anos abrigada.  
Bem enquanto não muda o que fazer?
Estatísticas Associação dos Magistrados do Brasil (AMB) e IPEA.gov.br
Como sabem das 80 mil abrigadas no Brasil . 67% tem idade entre 7 e 18 anos são 53 mil crianças “mais do que um  estádio Engenhão cheio” de crianças que tem as chances de adoção muito pequenas sem contar as muitas em grupos de irmãos, com irmãos deficientes físicos ou deficientes físicos. Para estas crianças o futuro é muito incerto.
O apadrinhamento é uma alternativa de contato extra-abrigo de uma criança ou adolescente com padrinhos que fora do abrigo desejem ser seus amigos e referenciais para sempre. Possibilita uma chance de melhoria na qualidade de vida.
Infelizmente o apadrinhamento no Estado do Rio de Janeiro é praticamente uma iniciativa isolada incentivada pelas ONGS alguns abrigos o que hoje só acontece oficialmente em duas varas de duas comarcas no estado do Rio de Janeiro enquanto em Pernambuco grande parte das comarcas incentivam e tem Núcleos de Apadrinhamento e esse numero lá, só aumenta. No Rio Grande do Sul e em Minas Gerais embora não tenha estatística posso afirmar, devido aos meus contatos que a adesão ao apadrinhamento é crescente e os projetos já existem a mais de 10 anos.             Conheci um caso em que afilhada após sair do abrigo para viver sua vida continuou sendo auxiliada pelos padrinhos e por ser órfã colocou os padrinhos no lugar dos pais no seu convite de casamento. É amizade e apoio mútuo para o resto da vida.
Gostaria de solicitar ajuda do Estado em suas Secretarias e Conselhos e do Ministério Público para avançar parcerias com o Juizado em prol do apadrinhamento em nome da nossa parcela do Engenhão de crianças que já citei.
Muitos devem estar se perguntando por que um jovem como eu decidiu logo que teve condições tornar-se padrinho afetivo?
Resposta!! “Exemplos” Referencial “Uma ação vale por mil palavras” pessoas como vcs que estão aqui lutando por seus ideais conscientes da dura realidade, em meu núcleo familiar inclusive meus Padrinhos, me acostumaram desde adolescente a visitar periodicamente abrigos, asilos etc....
O apadrinhamento com o menino R. começou com auxilio da ONG Quintal de Ana de Niterói ha 2 anos atrás. Onde fomos bem orientados e apoiados para ser Padrinho e não deixar que a criança crie grandes confusões.
R. é um menino negro de 11 anos como grande parte da população abrigada. É extrovertido inteligente e amoroso e educado. Possui um passado muito triste, pois viu a própria mãe ser assassinada quando pequeno. E depois foi sentindo o Abandono de parente em parente até ser abrigado com os irmãos.
Todo mês nós saímos com ele para passear se ele fizer alguns exercícios compatíveis com suas matérias da escola pode jogar e mexer no computador comigo. as vezes ele dorme em nossa casa e as vezes não da pela vida corrida de quem trabalha e estuda. Mas sempre que saímos aproveitamos bastante nossa amizade. Sempre deixamos claro para ele que seremos amigos dele sempre mesmo que ele seja adotado por uma família que queira adotar o que não é nossa intenção. No inicio R. era bem reticente com relação à outra chance de adoção até um pouco revoltado, isto por que ele passou por uns processos de aproximação a candidatos à adoção que não levaram a termo adoção por motivos principalmente do grupo de irmãos, porem ele não entendia isso muito bem o que nos esforçamos para auxiliar na reformulação. Para se ter idéia do que ele pensava a esse respeito o menino nos disse logo nas primeiras saídas aos 9 anos:
-- Eu sei que não vou ser adotado, pq os bebes do abrigo todos vão embora até os bebes que tem alguns probleminhas estão indo embora, dos da minha idade os branquinhos metade vai embora, e o resto que somos nós os mais feios! somos largados mesmo por isso que eu não gosto de ser pretinho assim. Pq se eu fosse branquinho eu já tinha sido adotado.
Então eu perguntei bem se vc é feio me explica uma coisa por que a Irmã  lá do abrigo disse que as meninas do colégio ficam te mandando bilhetinhos? Vc tem que entender uma coisa, vc não é uma coisa que se escolhe, pelo que aparenta. Ai com ajuda começamos a auxiliar seu entendimento e amnizar sua dor com um papo de moralidade e religião que é pelo sabor dentro da casca dos frutos que se
conhece as boas arvores e  tudo mais....
Infelizmente essa mentalidade entre as crianças dos abrigos é comum isso é uma conseqüência por um lado do preconceito da maior parte da sociedade que quer adotar como quem vai ao supermercado e escolhe o produto pelo Rótulo e também das imperfeições e burrocracia que todos aqui presentes estão reunidos tentado Heroicamente Corrigir.
Fica o apelo que o Apadrinhamento Tenha Regulamentação apoiada nas bases das reformas que estão sendo propostas no ECA e na lei de Adoção.
Muito Obrigado